Contar a história de um animal de estimação é uma tarefa complicada, pois na verdade envolve tudo que ele realmente significou e ainda vai significar, muito além de ser apenas um bichinho que a gente tem em casa. E a minha história com essa minha gatinha começou em Bauru, interior de SP, em julho de 2014, quando eu tinha acabado de fazer 27 anos. No ano anterior, 2013, eu tinha saído do RJ como mochileiro e o destino acabou colocando umas coincidências no meu caminho que me levaram até lá. E meus dois gatos machos ficaram no RJ, Bebê Formiga e Tai Formiga, o que já deixava um vazio na minha vida afetiva, por isso eu fiquei 1 ano sem ter gato próximo, até que eu comecei a procurar uma fêmea, queria uma filhotinha, de preferência ruivinha, pra ser a minha nova companheira. E então alguém falou que estavam doando uns gatos, vi a foto dela e era exatamente do jeito que eu queria. Fui na casa, mas ela tinha sumido no quintal, o dono insistiu pra eu pegar outros, eu falei que só queria ela. Aí ele chamou o filho, que procurou ela no meio do mato e me entregou, cabia na minha mão, tinha apenas uma semana de vida. Levei pra casa de ônibus e assim que cheguei ela ficou tão feliz em estar numa casa só pra ela. Pulava que nem um macaquinho, e adorava ficar abraçada e enrolada na manta. Consegui o que eu queria, virou a partir de 2014 minha companheira diária. Éramos só nos dois, me esperava chegar do trabalho, até que comprei um canguru e levava ela pra passear também. E ela adorava tomar banho de chuveiro, eu deixava a água bem quentinha e ela ficava maior tempão sem reclamar, abraçada no meu pescoço. Mas também viveu um amor bandido, se apaixonou por um gato preto da vizinha e sofreu quando eles se mudaram. E tentei deixar 2 vezes ela na veterinária pra um procedimento, ela virava uma leoa, só ficava calma comigo por perto.
E assim foi durante 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, até que a pandemia me levou a morar no mesmo apartamento com a minha mãe, que também mudou pra Bauru, com os gatos do RJ. Tentei juntar os três uma vez, mas ela ficou horrorizada quando viu aqueles dois machos, ela queria o espaço só pra ela. Mas o Tai acabou falecendo em 2018 de câncer, então, em 2020, só estava com o Bebê Formiga. Mas a Cindy não dava conversa pra ele. Até que em 2021 mudamos pra Praia Grande, vim com os 2 gatos no caminhão de mudança. Começamos mais um período no litoral, mas o Bebê se foi em 2022, com 16 anos. Então a Cindy voltou a ser a gata da casa, mas senti que faltava uma companheira, então peguei mais uma, da mesma cor do Bebê, que chamei de Susie Formiga. E mudei o nome delas pra Moguita e Showzeirinha, assim viraram amigas, embora a Guita achasse a Showzeirinha muito maluquinha. Uma namorada minha tinha um gato, que também foi amor a primeira vista pela Guita, que também apelidei de Guitão, mas ela não deu bola pra ele, que sofreu eternamente esse amor. E com tantas histórias, depois de 12 anos, a Guita infelizmente se foi, ontem, depois de uma complicação por causa de um mal estar respiratório. Agora, eu prestes a fazer 40 anos, que convivi com ela desde os 27 anos, nessa parceria de carinho e muito afeto, digo mesmo de abraçar e dormir junto, como se fosse uma filha, uma amiga, uma companheira, o ser com o miado mais carinhoso e o toque mais singelo que um ser vivo pode ter. A gente tinha uma conexão quase telepática, tanto que algumas vezes coisas aconteceram como se ela estivesse me chamando mentalmente. Inclusive, no momento final da vida dela, algo me deu de ir na clínica ver como ela estava, fui sem avisar e ela estava falecendo naquele momento exato. Ou ela estava me chamando, não acredito que foi apenas coincidência... Guitona. Agora Showzeirinha fica olhando perdida sem entender o que aconteceu. A vida segue com ela, a falta da Guita é absurda, mas como diz aquela frase: Não chore porque acabou, sorria porque aconteceu. E o que aconteceu foram os melhores 12 anos de afeto que ela me proporcionou, sem interesse, sem me cobrar nada em troca. Te amo eternamente, Guitona.

















































