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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Legião Urbana - Eduardo e Mônica

Essa letra mostra a diferença entre duas pessoas que acabam tendo um relacionamento, mesmo com tantas diferenças entre eles. E o principal é que a Mônica já é mais adulta e muito mais culta do que o Eduardo, que ainda tem uma vida simples, não é de sair e prefere ficar em casa. E na verdade a letra é uma ironia total sobre como a Mônica ficou querendo impressionar o Eduardo, mas o que atraía ele eram outras coisas. E também é o oposto da ideia de que pra um relacionamento dar certo as pessoas tem que ter uma afinidade em música, filmes, etc.

A letra:

Quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem me irá dizer que não existe razão? Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar, ficou deitado e viu que horas eram, enquanto Mônica tomava um conhaque no outro canto da cidade, como eles disseram. Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer. Carinha do cursinho do Eduardo que disse: tem uma festa legal e a gente quer se divertir. Festa estranha, com gente esquisita, eu não tô legal, não aguento mais birita. E a Mônica riu e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar. E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa: é quase duas e eu vou me ferrar.

Eduardo e Mônica trocaram telefone, depois telefonaram e decidiram se encontrar. O Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver um filme do Godard. Se encontraram então no Parque da Cidade, a Mônica de moto e o Eduardo de camelo. O Eduardo achou estranho e melhor não comentar, mas a menina tinha tinta no cabelo. Eduardo e Mônica era nada parecido: ela era de Leão e ele tinha dezesseis, ela fazia medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês. Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, de Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud, e o Eduardo gostava de novela e jogava futebol-de-botão com seu avô. Ela falava coisas sobre o Planalto Central, também magia e meditação, e o Eduardo ainda tava no esquema escola, cinema, clube, televisão.

E, mesmo com tudo diferente, veio meio de repente uma vontade de se ver, e os dois se encontravam todo dia e a vontade crescia como tinha de ser. Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, teatro e artesanato e foram viajar. A Mônica explicava pro Eduardo coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar. Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer e decidiu trabalhar, e ela se formou no mesmo mês que ele passou no vestibular. E os dois comemoraram juntos e também brigaram juntos muitas vezes depois, e todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz. Construíram uma casa uns dois anos atrás, mais ou menos quando os gêmeos vieram. Batalharam grana, seguraram legal a barra mais pesada que tiveram. Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília, e a nossa amizade dá saudade no verão, só que nessas férias não vão viajar porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação. E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem me irá dizer que não existe razão?

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