O que eu acho uma ironia nesses canais do YouTube que comentam filmes é que nem se dão ao trabalho de entender o que estão comentando, já que o certo seria pesquisar e pelo menos assistir aos filmes anteriores pra se ter uma base do que está acontecendo nesse. E quando se trata do sétimo filme de uma saga como Pânico, onde tudo é feito de forma contínua e acompanhando os mesmos personagens, comentando os acontecimentos dos 6 filmes anteriores, quem não viu realmente vai ficar boiando. E a genialidade desse roteiro aqui, que quase ninguém percebeu é o seguinte: em Pânico 1, que já completa 30 anos de lançamento, duas coisas acabaram virando temas da vida real. Uma delas é que o personagem Stu Macher, que foi um dos assassinos originais, nunca foi realmente confirmado como morto, já que nunca tomou um tiro na cabeça, então podia ser que ele ainda estivesse supostamente vivo. Ainda mais da forma como o personagem terminou o primeiro filme, com uma televisão de tubo pesadíssima que a Sidney empurrou na cabeça dele, eletrocutando-o também. A segunda coisa é que, no retorno do quinto filme, em 2022, a casa do filme original, que também era do mesmo personagem, acabou sendo local de assassinatos e virou tipo um museu real, onde as pessoas alugavam pra ir passar uma noite. E aí que é o lance do negócio: esses dois assuntos são o tema desse filme novo, a história dos bastidores entrou no filme, mas que ainda ficou incompreendido por muitas pessoas.
E o que acontece é que a Sidney segue sua rotina, pela primeira vez explicando onde ela estaria morando, quem é seu marido e filhos, coisas nunca antes mencionadas em nenhum filme a fundo, até que ela recebe uma ligação de chamada de vídeo do Stu Macher. Isso mesmo, o personagem que teve a cabeça esmagada 30 anos atrás, levantando o debate sobre se ele tinha como ter escapado da morte e fugido durante 30 anos. E nisso o filme quase me enganou realmente, até a última cena achei que poderia ter sido ele, pois os argumentos são convincentes, de que ele acabou ficando com amnésia após a pancada na cabeça e foi encontrado e levado pra um hospital psiquiátrico, onde passou muito tempo, até ter sido liberado recentemente. E tem um detalhe muito importante, que, no quarto dele nesse hospital, está um porta-retrato da atriz Tori Spelling, que foi a atriz fictícia do primeiro filme Facada, interpretando a Sidney. E além disso, fica a dúvida se o assassino era outra pessoa se passando pelo Stu usando inteligência artificial pra modificar o rosto. Essa é a sacada desse filme, atualizando o tema pra 30 anos do primeiro, com uma homenagem a tudo que foi visto até aqui.
E aí temos os personagens, perfeitamente readaptados em novas situações. Os sobrinhos do Randy trabalhando com a Gale, a parceria dela com a Sidney é retomada também, além da relação da Sidney com a filha, que pra mim lembra a sensibilidade do roteirista Kevin Williamson em Dawson's Creek, que foi de mostrar de onde a Sidney tirou o nome da filha, Tatum. E isso remete muito ao primeiro filme e a perda da única amiga que a Sidney realmente confiou, e isso foi muito emocionante e poético. Pra quem acompanha não só a franquia Pânico, que já tem 7 filmes e dois seriados, mas também a carreira do Kevin Williamson como roteirista, diretor e produtor, entende a dinâmica dele. Pra quem não entendeu e quis ver algo que fosse muito mastigado e explicativo, talvez não tenha gostado tanto. Mas como eu disse, uma franquia que chega no sétimo filme sabe o seu público e sinceramente não tá mais nem aí pra conseguir público novo. Isso é pros fãs.

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