Esse filme tem uma sensibilidade incrível em contar como os relacionamentos amorosos acontecem, do começo ao término, mostrando como funciona dentro da cabeça das pessoas quando estão no período de superação após uma decepção, mas isso é mostrado de uma forma absurdamente ousada, dentro da cabeça do protagonista. E o que acontece é que um homem e uma mulher estavam em um relacionamento até então saudável, se conhecendo, resolvem namorar sério, até que começam a ter brigas constantes, até que um belo dia o homem descobre que a mulher está com outro rapaz e simplesmente ignora a presença dele, mas de uma forma que ela nem o reconhece mais. E isso se dá pelo fato de ela ter feito uma lavagem cerebral em uma empresa especializada em apagar memórias, ou seja, eles mapeiam todos os estímulos mentais baseado nas lembranças que estão no cérebro da pessoa e vão apagando colocando uma máquina na cabeça, como se tivessem deletando arquivos de um HD. Só que quando ele descobre isso, resolve fazer o mesmo, até se deparar conscientemente com suas próprias lembranças, onde ela estava presente, percebendo que não queria realmente apagá-la, começando a tentar fugir disso, procurando uma memória onde ela não esteve, para escondê-la. E isso é a melhor representação psicológica de como ocorre o luto pelo fim de um relacionamento, pra parte que não queria o término. E a grande surpresa desse filme é que o começo mostra os dois se conhecendo num trem, mas isso não é exatamente o começo e sim o final, depois que os dois já se apagaram um da cabeça do outro, acabam se reencontrando normalmente, ou seja, não dá pra apagar totalmente alguém da cabeça. Os papéis da Kate Winslet e do Jim Carrey são o oposto do que eles estão acostumados a fazer, o que deixa isso tudo mais interessante ainda.

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